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Licitações pelo Mundo · Europa · · 7 min de leitura

Reino Unido: o modelo pioneiro de compras públicas digitais e procedimentos flexíveis

Como o Reino Unido compra: o Procurement Act 2023, a plataforma central Find a Tender, o fim do diálogo concorrencial, o procedimento flexível e o G-Cloud para software.

Resumo executivo: desde fevereiro de 2025, o Reino Unido compra sob uma lei nova, o Procurement Act 2023. Ela simplificou os procedimentos, trocou o diálogo concorrencial por um procedimento flexível e levou todo o ciclo da contratação, do planejamento ao desempenho do contrato, para uma plataforma digital central. Para empresas de tecnologia, o destaque é o G-Cloud, um catálogo em que o governo compra software na nuvem quase como numa loja on-line.

Ficha rápida
Regra principal Procurement Act 2023, em vigor desde 24 de fevereiro de 2025 (Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte; a Escócia tem regime próprio)
Portal oficial Central Digital Platform, com o serviço Find a Tender; o Contracts Finder segue como arquivo e para algumas compras abaixo dos limites
Procedimentos Aberto e competitivo flexível; contratação direta só nos casos previstos na lei
Limite 2026–2027 £ 135.018 (bens e serviços do governo central, com impostos)
Critério de julgamento Proposta mais vantajosa (MAT, most advantageous tender)
Software e nuvem G-Cloud, contratado pelo Crown Commercial Service

1. O marco regulatório: quem manda nas compras públicas no Reino Unido?

Até 2024, as compras públicas britânicas seguiam regras derivadas das diretivas europeias. Com a saída da União Europeia, o país aprovou uma lei própria: o Procurement Act 2023, em vigor desde 24 de fevereiro de 2025. Ela substituiu quatro regulamentos anteriores por um texto único e vale para a Inglaterra, o País de Gales e a Irlanda do Norte. A Escócia, que tem autonomia nessa área, manteve regras próprias.

As principais mudanças da nova lei:

Os limites de valor são revistos a cada dois anos. Para 2026 e 2027, o limite para bens e serviços do governo central é de £ 135.018, já com impostos.

2. A tecnologia e os portais: onde os editais são publicados?

O Reino Unido foi pioneiro em compras públicas digitais e em transparência por padrão. Com o Procurement Act, tudo passa pela Central Digital Platform, que funciona no serviço Find a Tender:

O Contracts Finder, portal que por muitos anos concentrou as compras de menor valor na Inglaterra, segue disponível para os avisos antigos e para algumas contratações abaixo dos limites, mas deixou de ser o canal principal.

3. Oportunidades e desafios para as empresas

G-Cloud: vender software sem uma licitação por cliente. O destaque britânico para empresas de tecnologia é o G-Cloud, um acordo-quadro do Crown Commercial Service (CCS), a central de compras do governo, para software e serviços em nuvem. A empresa se credencia uma vez, numa janela aberta periodicamente, publica seus serviços e preços num catálogo, e qualquer órgão público pode contratá-la por um processo de busca e comparação, sem abrir uma licitação completa. A 14ª edição está em operação, e a 15ª estava prevista para entrar no ar em setembro de 2026. Para serviços digitais sob medida, há acordos-quadro próprios, como o Digital Outcomes.

Pequenas empresas e startups. A lei manda os órgãos considerarem as barreiras para pequenas e médias empresas, por exemplo ao dividir em lotes e ao dimensionar exigências de habilitação. Os catálogos do CCS são uma das principais portas de entrada para GovTechs.

Desafios. Os principais obstáculos são:

4. O que o Brasil pode aprender com esse modelo?

Transparência do ciclo inteiro, não só do edital. O PNCP já reúne editais, atas e contratos. O modelo britânico vai além ao publicar o desempenho do contrato e as falhas de execução. No Brasil, a Lei 14.133 abriu caminho com o cadastro de atesto de cumprimento de obrigações e o registro de penalidades, mas a avaliação de desempenho ainda é pouco visível para o mercado.

Planejamento à vista. O pipeline britânico corresponde ao plano de contratações anual previsto na Lei 14.133. Quando ele é publicado e cumprido, as empresas se preparam antes, e a concorrência melhora.

Procedimentos sob medida para inovação. O procedimento flexível britânico e o diálogo competitivo brasileiro respondem ao mesmo problema: comprar o que ainda não está pronto, como software e soluções de tecnologia. O Brasil ainda pode avançar na compra de software por catálogo, com credenciamento e contratação simplificada, um caminho que a própria Lei 14.133 permite.

Para quem vende ao governo, informação antecipada é vantagem. Saber o que o governo vai comprar, quem já forneceu e por quanto muda a qualidade da decisão. É isso que o KASISKI Licitações entrega no Brasil, e o que o KASISKI Compras Públicas oferece aos órgãos que querem planejar melhor as próprias contratações.

Perguntas frequentes

Qual é a lei de licitações do Reino Unido?

É o Procurement Act 2023, em vigor desde 24 de fevereiro de 2025, na Inglaterra, no País de Gales e na Irlanda do Norte. A Escócia tem regras próprias.

O diálogo concorrencial ainda existe no Reino Unido?

Não como procedimento próprio. A nova lei manteve só o procedimento aberto e o procedimento competitivo flexível, e a negociação e o diálogo com os licitantes passaram a ser feitos dentro do procedimento flexível.

Onde são publicadas as licitações britânicas?

Na Central Digital Platform, pelo serviço Find a Tender. O Contracts Finder segue disponível para avisos antigos e para algumas compras abaixo dos limites.

O que é o G-Cloud?

É um acordo-quadro do Crown Commercial Service para software e serviços em nuvem. O fornecedor se credencia, publica seus serviços num catálogo, e os órgãos públicos contratam sem abrir uma licitação completa.

Fontes oficiais

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Conteúdo informativo, escrito pela equipe KASISKI a partir das fontes oficiais citadas. Regras, valores e reformas mudam: confira a fonte antes de decidir.

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