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Mapa de votos por bairro: como ler o resultado da eleição e planejar o mandato
Como transformar a votação por seção eleitoral do TSE num mapa de votos por bairro, quais indicadores olhar e os cuidados para não tirar conclusões erradas.
Para ver os votos por bairro, junte a votação por seção eleitoral, publicada pelo TSE, ao endereço do local de votação de cada seção e some os votos de todas as seções de um mesmo bairro. O resultado é um mapa da sua votação muito mais útil que o total do município. Ele mostra onde estão os redutos, onde você cresceu, onde perdeu espaço e onde outro candidato disputa o mesmo eleitorado.
Este guia explica de onde vêm os dados, como montar o mapa, quais indicadores olhar e os erros de interpretação mais comuns.
De onde vêm os dados
O Tribunal Superior Eleitoral publica no Portal de Dados Abertos, para cada eleição:
- A votação por seção eleitoral: quantos votos cada candidato teve em cada seção, a menor unidade do resultado.
- Os locais de votação: a escola ou o prédio de cada seção, com endereço e, em geral, o bairro.
- O eleitorado: quantos eleitores estavam aptos em cada seção.
Os arquivos são públicos e gratuitos, mas grandes: só a votação de um estado populoso tem milhões de linhas. Por isso, quem faz a análise na mão costuma usar planilhas por zona ou por município, e perde o detalhe do bairro.
Como montar o mapa, passo a passo
- Baixe a votação por seção do cargo e do estado. Filtre pelo seu número de candidato.
- Baixe os locais de votação. Ligue cada seção ao local em que ela funciona.
- Agrupe por bairro. Some os seus votos e o total de votos válidos de todas as seções dos locais de cada bairro.
- Calcule a sua participação. Seus votos ÷ votos válidos do bairro. É ela que permite comparar um bairro grande com um pequeno.
- Repita para a eleição anterior, se você já disputou, para ver a evolução.
- Coloque no mapa. Um mapa de calor com a participação por bairro mostra num olhar onde a votação se concentra.
Em municípios com uma só zona eleitoral, o recorte por zona não mostra nada. O recorte por local de votação e por bairro é o que revela a geografia da votação.
Os indicadores que importam
| Indicador | Como calcular | O que ele diz |
|---|---|---|
| Votos absolutos | Soma dos seus votos no bairro | Onde está o volume da sua votação |
| Participação | Seus votos ÷ votos válidos do bairro | Onde você é forte, independentemente do tamanho do bairro |
| Concentração | % da sua votação total que veio dos 10 bairros principais | Se o mandato depende de poucos lugares |
| Variação | Participação desta eleição − da anterior | Onde você ganhou ou perdeu espaço |
| Disputa | Candidatos do mesmo cargo bem votados nos seus redutos | Quem divide o mesmo eleitorado com você |
Com esses cinco números, os bairros costumam cair em quatro grupos:
- Redutos: participação alta e estável. Pedem presença constante e retorno de entregas.
- Em crescimento: a participação subiu. Pedem consolidação.
- Em queda: a participação caiu. Vale entender o porquê antes da próxima eleição.
- Espaço para crescer: muitos eleitores, participação baixa, mas com perfil parecido com o dos seus redutos.
Cuidados para não tirar conclusões erradas
- A seção mostra onde o eleitor vota, não onde ele mora. Na maioria das vezes é perto de casa, mas há transferências e mudanças. Trate o mapa como aproximação.
- Locais de votação mudam entre eleições. Ao comparar com a eleição anterior, compare por bairro, não por seção.
- Compare o mesmo cargo. Votação para deputado estadual e para vereador têm dinâmicas diferentes.
- Bairro pequeno engana. Com poucos votos válidos, uma pequena variação vira uma mudança enorme de participação. Olhe a participação junto com o volume.
- Nomes de bairro não são padronizados. O mesmo bairro pode aparecer com grafias diferentes nos dados dos locais. Padronize antes de somar.
Como usar o mapa no mandato
O mapa de votos é um instrumento de presença e escuta, não de distribuição de recursos públicos.
- Agenda: planeje visitas, audiências e reuniões com lideranças onde o mandato precisa estar presente, nos redutos e nas regiões em queda.
- Atendimento: cruze o mapa de votos com o mapa das demandas que chegam ao gabinete. Bairro com muita votação e muitos pedidos sem resposta é um risco.
- Pauta legislativa: os problemas que se repetem nos pedidos de uma região viram requerimentos, indicações e projetos.
- Comunicação: preste contas das entregas onde as pessoas confiaram no mandato.
Emendas e recursos públicos seguem critérios de interesse público e as regras de cada orçamento. O mapa ajuda a conhecer a realidade da base, mas a decisão sobre onde aplicar dinheiro público precisa se apoiar na necessidade da população e nas regras legais, não na votação.
Fazer na planilha ou usar uma ferramenta?
Para um município pequeno e uma eleição, uma planilha resolve, com paciência. Para um deputado com votos em centenas de municípios, ou para comparar várias eleições, o volume de dados pede uma ferramenta. No Kasiski Mandato, a base eleitoral é montada a partir dos dados oficiais do TSE e do IBGE. O mapa mostra a votação bairro a bairro, também em cidades com uma só zona eleitoral, e indica redutos a defender, espaço para crescer e os candidatos que mais aparecem entre os primeiros nos seus redutos.
Perguntas frequentes
Onde encontro o resultado da eleição por seção eleitoral?
No Portal de Dados Abertos do TSE, nos conjuntos de dados de resultados (votação por seção eleitoral) e de eleitorado (locais de votação). Os arquivos são públicos e separados por eleição e por estado.
Dá para saber os votos por bairro em cidades com uma só zona eleitoral?
Dá. A zona não ajuda nesses casos, mas cada seção funciona num local de votação com endereço e bairro. Somando as seções de cada bairro, você tem a votação bairro a bairro.
O mapa de votos mostra onde meus eleitores moram?
Mostra onde eles votam. Na maior parte dos casos é perto de onde moram, mas não sempre. Use o mapa como uma aproximação da sua base, não como um cadastro de eleitores.
Posso usar o mapa de votos para decidir para onde vão as emendas?
O mapa ajuda a conhecer a base e planejar a presença do mandato. A destinação de emendas e recursos públicos deve seguir o interesse público, a necessidade da população e as regras do orçamento, não a votação de cada lugar.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe Kasiski. Não substitui a análise jurídica do caso concreto.