Preços · · 7 min de leitura
Como calcular o lance no pregão eletrônico: preço mínimo, intervalo e estratégia
Como calcular o preço mínimo, o próximo lance e a estratégia de disputa no pregão eletrônico: intervalo entre lances, modos de disputa, empate de ME/EPP e negociação.
Para calcular o lance no pregão eletrônico, defina antes da sessão o seu preço mínimo (o menor valor que ainda paga custos, tributos e a margem que você aceita) e, durante a disputa, cubra o melhor lance pelo intervalo mínimo do edital, sem nunca passar do mínimo. A estratégia está em quanto e quando reduzir. A conta que decide se vale a pena vencer é feita antes de a sessão abrir.
Este guia mostra como montar o preço mínimo, como as regras de lance funcionam na Lei 14.133 e como decidir o tamanho de cada redução, com um exemplo numérico.
1. Antes da sessão: o preço mínimo
O erro mais caro no pregão é descobrir o preço mínimo no meio da disputa, com o cronômetro correndo. Monte-o antes, item por item:
| Componente | O que entra |
|---|---|
| Custo direto | Produto ou insumos, mão de obra, frete, embalagem, instalação |
| Custos indiretos | Administração, garantia, seguro, custo financeiro de receber em 30 dias ou mais |
| Tributos | Os que incidem sobre o faturamento no seu regime tributário |
| Margem mínima | O lucro abaixo do qual a venda não compensa o risco |
Em serviços e obras, a soma de indiretos, tributos e lucro sobre o custo direto costuma ser organizada no BDI. Em fornecimento, uma planilha simples por item já resolve.
Dois cuidados:
- Prazo de pagamento. Se o órgão costuma pagar com atraso, o custo financeiro sobe. Inclua esse risco no mínimo, não na esperança.
- Inexequibilidade. Preço baixo demais pode desclassificar. Em obras e serviços de engenharia, a Lei 14.133 considera inexequível a proposta abaixo de 75% do valor orçado pela Administração (art. 59, §4º). Em outros objetos, o pregoeiro pode pedir que você demonstre que o preço se paga (art. 59, §2º). Ter a planilha de custos pronta resolve as duas situações. Veja também o verbete inexequibilidade.
2. Como funcionam os lances
Intervalo mínimo entre lances
O edital pode fixar um intervalo mínimo de diferença de valores entre os lances, seja em relação aos lances intermediários, seja em relação à proposta que cobre a melhor oferta (Lei 14.133, art. 57). O intervalo vem em valor (R$) ou em percentual. O sistema recusa o lance que não respeita esse intervalo, por isso o cálculo do próximo lance sempre parte dele.
Modos de disputa
A lei prevê o modo aberto, em que os lances são públicos e sucessivos, e o modo fechado, em que as propostas ficam em sigilo até a abertura, além da combinação dos dois (art. 56). No pregão eletrônico, os mais comuns são:
- Aberto: lances sucessivos, com prorrogação automática quando há lance perto do fim do tempo. Ganha quem sustentar o menor preço até a disputa terminar.
- Aberto e fechado: depois da etapa aberta, os melhores colocados enviam um lance final e fechado. Aqui o lance final pesa mais que a disputa de centavos na fase aberta.
Os tempos e as regras de prorrogação estão no edital e no regulamento do portal. Leia antes da sessão: a estratégia muda conforme o modo de disputa.
3. Calculando o próximo lance
Uma regra simples para cada rodada:
Próximo lance = melhor lance atual − redução, em que a redução é pelo menos o intervalo mínimo do edital e o resultado nunca fica abaixo do seu preço mínimo.
O tamanho da redução é a estratégia:
| Estratégia | Redução por lance | Quando usar |
|---|---|---|
| Conservadora | O intervalo mínimo | Muitos concorrentes, preço mínimo apertado, modo aberto longo |
| Moderada | 2 a 3 vezes o intervalo | Disputa equilibrada; você quer sinalizar firmeza sem queimar margem |
| Agressiva | Reduções grandes logo no início | Poucos concorrentes, folga grande até o mínimo, quer desencorajar quem está no limite |
Exemplo
Pregão de 1.000 unidades, valor estimado de R$ 50,00 por unidade, intervalo mínimo de R$ 0,10. Seu custo total por unidade (produto, frete, tributos, custo financeiro) é R$ 38,00 e a margem mínima aceitável é 8%. O preço mínimo fica em R$ 38,00 × 1,08 = R$ 41,04.
A disputa abre e o melhor lance é de outro participante, R$ 47,90. Na estratégia moderada (3 intervalos), o seu próximo lance seria R$ 47,90 − R$ 0,30 = R$ 47,60. Se o concorrente cobrir com R$ 47,50, você vai para R$ 47,20, e assim por diante. Quando o melhor lance chegar a R$ 41,10, o próximo lance possível seria R$ 41,00, abaixo do seu mínimo de R$ 41,04: é a hora de parar. Ficar em segundo, nesse caso, é a decisão certa.
4. Depois da fase de lances
Empate ficto de ME e EPP
Se a sua empresa é microempresa ou empresa de pequeno porte, a Lei Complementar 123/2006 (arts. 44 e 45) garante preferência quando a sua proposta ficar até 5% acima da melhor oferta de uma empresa que não é ME/EPP, no pregão: você pode cobrir o preço e vencer. Se você não é ME/EPP, conte com esse movimento ao decidir o último lance. Detalhes em empate ficto.
Negociação
Encerrados os lances, o pregoeiro pode negociar com o primeiro colocado para obter condições melhores (Lei 14.133, art. 61). Tenha claro quanto ainda cabe reduzir sem passar do mínimo. Uma contraproposta pequena e justificada costuma encerrar a conversa.
Habilitação e proposta ajustada
Vencer os lances não é vencer a licitação. Em seguida vêm o envio da proposta ajustada ao valor final e a habilitação. Deixe os documentos prontos e a planilha de custos à mão, caso o pregoeiro peça para demonstrar a exequibilidade.
5. Erros comuns na hora do lance
- Entrar na sessão sem preço mínimo definido por item.
- Esquecer o intervalo mínimo e ter o lance recusado no fim da disputa.
- Reagir a cada centavo do concorrente e chegar ao mínimo cedo demais.
- Ignorar o empate ficto e perder para uma ME/EPP que estava até 5% acima.
- Dar o lance final no modo aberto e fechado como se fosse mais uma rodada da fase aberta.
Onde uma ferramenta ajuda
No dia do pregão, a pressão do relógio é o que leva aos erros acima. Uma sala de disputa organiza tudo por item: o preço mínimo, o intervalo do edital, a estratégia e o próximo lance calculado. No Kasiski, a sala de disputa faz esse cálculo e para no seu mínimo; o lance continua sendo dado por você, no portal. E a referência de preço vem antes, do Price Intelligence™, com os preços praticados em contratações parecidas.
Perguntas frequentes
Como calcular o preço mínimo para o pregão?
Some, por item, o custo direto, os custos indiretos (inclusive o custo financeiro do prazo de pagamento), os tributos do seu regime e a margem mínima aceitável. Esse é o valor abaixo do qual você não dá lance.
O que é o intervalo mínimo entre lances?
É a diferença mínima, em reais ou percentual, que um lance precisa ter em relação ao anterior ou ao melhor lance, quando o edital fixa esse intervalo (Lei 14.133, art. 57). O sistema recusa o lance que não respeita esse valor.
Qual a diferença entre o modo aberto e o aberto e fechado?
No modo aberto, os lances são públicos e sucessivos até o fim do tempo. No aberto e fechado, depois da fase aberta os melhores colocados enviam um lance final em sigilo. As regras de tempo estão no edital e no regulamento do portal.
Lance muito baixo pode desclassificar a proposta?
Pode. Em obras e serviços de engenharia, a Lei 14.133 considera inexequível a proposta abaixo de 75% do valor orçado (art. 59, §4º). Em outros objetos, o pregoeiro pode pedir a demonstração de que o preço é viável.
Existe robô que dá lance sozinho?
O Kasiski não dá lances automáticos: a sala de disputa calcula o próximo lance e respeita o seu mínimo, e quem dá o lance no portal é a pessoa responsável pela disputa.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe Kasiski. Não substitui a análise jurídica do caso concreto.